O MISTÉRIO DO AMOR
Não temos aqui a pretensão de desvendar os mistérios do amor, até porque deixaria de ser mistério. Queremos sim, colocar algumas informações para que o amor “que não é imortal, posto que é chama mas que seja infinito enquanto dure” como dizia o poeta Vinicius de Moraes. Afinal, seria pretensão demais alguém dizer que entende o amor romântico. Mas não para a ciência. Do ponto de vista de quem estuda o assunto, há um consenso: a paixão é o jeito que o seu corpo encontrou de avisar outra pessoa que uma força maior, totalmente incontrolável, fará com que você esteja sempre por perto.
O amor é instável: como saber que um parceiro não vai trocar você, minha amiga, pelo primeiro rabo-de-saia com mais balanço que o seu? E você meu amigo, quem garante que ela não vai fugir com o professor da academia na semana que vem? Então qual é a saída? Juntar-se com alguém que não esta com você por um motivo racional, mas justamente pelo oposto disso: uma emoção… uma forte emoção. Uma emoção que não será transferida imediatamente para outro. Uma emoção que a pessoa não decidiu sentir e, portanto, está fora do seu alcance, decidir não sentir. Uma emoção que certamente não é simulada, porque tem custos fisiológicos como taquicardia, anorexia e insônia. Uma emoção como amor romântico.
Alguém completamente apaixonado por você não sumirá de uma hora para outra, até pode acontecer mas não com a mesma falicilidade de alguém que não ama você. Mas aí chegamos num outro ponto: o que faz uma separação surgir assim, do nada? Aí é que está. Isso não surge do nada. Seu cerébro fica esperto com certos sinais. Sinais que indicam que ali está um bom pai, ou uma boa mãe, para os seus filhos. E um deles é… a beleza.
A natureza não escreve leis a respeito mas surgiram sinais eficientes para os outros detectarem a saúde de um parceiro potencial, e, em última instância, sua capacidade de gerar muitos e bons filhos. Chamamos o conjunto desses sinais de “beleza”. Claro que existem variáveis para se estabelecer padrões de beleza. O que era considerado belo em outra época hoje já não é e vice-versa. Mas moda é uma coisa e sinais de saúde são outra.
A simetria por exemplo. Ter um lado corpo o mais parecido possível com o outro demonstra que o seu organismo está em ordem, mutações genéticas desagradáveis, como nascer com uma perna muito menor que a outra, quebram nossa simetria natural. Diante disso, nossa percepeção extrapolou a parte prática e nos muniu com um “software” que diz “quanto mais simétrico melhor. E são essa pessoas que qualquer um vai achar mais bonitas. Tanto que para ficar feio, basta simular uma assimetria, como pintar um dente de preto na festa junina ou fazer uma careta. Até bebês de 3 meses passam mais tempo olhando rostos bonitos, os perfeitamente simétricos. E têm medo de careta.
“As mulheres inclusive, atingem mais orgasmos com homens simétricos”, dia a antropóloga Helen Fisher, da Universidade Rurguers nos EUA. Faz sentido: a contração orgástica faz a mulher absorver mais esperma, suas chances de engravidar do bonitão são maiores. O ponto é que a beleza conta sim, mas ela não é fundamental (o poeta que me perdoe). Existe uma coisa bem mais importante: o sistema imunológico do outro.
COISA DE PELE
Constituir família com uma pessoa que tenha um sistema imunológico complementar ao seu, significa garantir uma prole com mais chance de sobrevivência. Ótimo negócio. Mas como saber quem tem esses genes preciosos?
Parece inusitado, mas você dispõe de um equipamento capaz disso: seu nariz. Uma experiência criada pelo biólogo suíço Claus Wedeking em 1995, confirma isso. Funciona assim: primeiro os cientistas fazem testes em vários homens e mulheres para medir seus sistemas imunológicos. Feito isso pedem que eles usem a mesma camiseta por alguns dias e devolvam ao laboratório. Então as mulheres cheiram as dos homens, e vice-versa. E cada um monta um ranking com os cheiros que consideram mais sexy.
O resultado comprova que preferimos o odor de quem tem um sistema imunológico diferente do nosso. Quanto maior a diferença maior a sensação de cheirar a camiseta. Se uma camiseta já dá prazer, imagina a pessoa inteira. Isso ajuda a explicar a “coisa da pele”. Do ponto de vista imunológico eles são “cara-metades” e, nesse caso, que se dane que ele não seja o Cauã Reymond e ela a Grazi Massafera. O amor pode até ser cego de vez em quando, só que ele tem olfato.
Mas o segredo do amor não está só nas diferenças. As semelhanças são fundamentais e contam também para o sucesso de uma relação. Todos nós temos um pouco de Narciso, e na hora de se juntar pra valer com alguém, pode achar “feio o que não é espelho”.
ALMAS GÊMEAS
Imagine o seu rosto transformado em um do sexo oposto. É possível que você considere essa pessoa virtual como o melhor par romântico possível. É o que concluiu o psicólogo David Perret, da Universidade Saint Andrews, na Escócia, após pesquisa feita nas reações de seus estudantes aos próprios rostos metomorfoseados. A maioria escolheu a si mesmo, sem saber, como o parceiro ideal.
Isso parece contradizer a história das diferenças dos sistemas imunológicos. Mas, na verdade, uma coisa não invalida a outra: existem casais que se parecem com irmãos, mas isso não significa que essas mesmas pessoas se sintam atraídas por seus irmãos do sexo oposto, cujas defesas do organismo são quase idênticas. Mas é fato que as pessoas parecidas com você inspiram mais confiança, afirmam os pesquisadores. Talvez porque elas lembrem os rostos de seus pais, as primeiras pessoas em que você confiou na vida, diz Perret.
Já no caso de atração sexual pura e simples, leva vantagem os tipos diferentes porque entra “nesse jogo” as fantasias. Mas, na hora de escolher para o longo prazo, é básico que haja identificação, seja na aparência, seja na mente. As pessoas que mais atraem você são aquelas que têm “cicatrizes” parecidas com as suas mas encontrou maneiras diferentes de resolvê-las, e, portanto, têm o que ensinar.
Mas você sabe que não é preciso conhecer a biografia toda de uma pessoa para se apaixonar. Segundo pesquisas feitas pelo psicólogo Arthur Aron, da Universidade Stony Brook, nos EUA, com pessoas que não se conheciam, bastou meia hora de conversa para saber se existe alguma conexão. E se houver mesmo, algum tempo depois uma “avalanche” química vai invadir o cérebro. E você vai saber que se apaixonou. Uma descarga muito grande de dopamina, a mesma substância que a cocaína e a heroína ativam o cérebro, faz você se sentir violentamente feliz quando o ser amado está por perto. É ela que dá aquela sensação de “fogo” no beijo, por outro lado, provoca a insônia, taquicardia e falta de apetite. Sem falar na sensação de dependência química, as dores físicas que os apaixonados sentem têm semelhança com as crises de abstinência dos viciados em droga.
Mas a natureza é perfeita, seria impossível suportar essa “montanha-russa” indefinidamente, por isso a paixão tem data de expiração: até 3 anos. E o que a faz evaporar é justamente um relacionamento saudável. Quem destrói os hormônios da paixão são as substâncias que o corpo libera durante os orgasmos: ocitocina (nas mulheres) e vasopresina (nos homens). Se a relação continuar bem, elas farão com que nos sintamos cada vez melhor com com o nosso par, fortalecendo os laços entre ambos.


Janeiro 24, 2009 às 3:52 pm
VC É DEMAIS.
Janeiro 24, 2009 às 4:13 pm
Se vc gostou, obrigado! Volte sempre e visite outros tópicos, quem sabe vc gosta de mais algum?